
Só completamos duas fases do caminho.
Convém começar por essa frase. A Dimensão espiritual pode estar lá. Mas o esforço físico e psicológico é uma amostra do que significaria o todo da caminhada.
No entanto, apenas uma pequena parte desperta algo diferente.
Uma vida de caminhadas, de mochila às costas, cantil, barras energéticas, um impermeável a que não damos uso, reportório musical que geralmente nem admitiríamos que sabemos... ah, sim e um par de botas.
Para uns é um pouco andar de bicicleta. Uma bicicleta livre do karma de acidentes estúpidos que alguns de nós carregam, enferrujada, a precisar de uma nova pintura aqui e ali...
E de repente estamos no meio do monte, a caminhar em sincronia com dois dos teus mais antigos parceiros de caminhada.
Mama mia, pimbalhada, tentativas de rock que personificam a expressão 'epic fail', todas as músicas espanholas que nos lembramos e não lembramos nos últimos dez anos.
No fim. o reportório define-se por um mix que só pode ser definido por funfreezens - a linguagem inventada do clã 9, escuteiros de São Mamede, quando nós lá figurávamos há um ano - que agora nos parece ter sido há umas décadas.
Durante parte do caminho uma emboscada é planeada ao resto dos dirigentes. Depois de todo um brainstorming dos nossos filmes favoritos de acção e de animes, conseguimos polir perfeitamente um plano genial.
Primeiro passo: Camuflagem
(insert jungle music here!)
Eu, com uma flor enfiada no meio da Cabeça.
Emanuel, com uma folha colada na testa.
Ana, com um ramo de carvalho na mochila.
Segundo Passo: Sneaking
Os três CILs em fila atrás do ramo de Carvalho a cantarolar qual criancinha possuída num filme de terror: "Não tem cartão, não entra"
Terceiro Passo: Reacção
Os dirigentes de lenço verde a erguer uma sobrancelha e a dizer "Ah então estão aqui"
Ana ultrajada. "Não Teresa. O que devias dizer era: AH! UMA ÁRVORE QUE FALA!"
Aventuras, espanhóis que falavam um não-dialecto, e sem dúvida a pior noite de albergue que alguém já teve.
Assim se faz o caminho de Santiago.
Ela insiste num verdadeiro culto às setas amarelas, tirando um rol de fotos, queixando-se dos traços desajeitados, da cor amarela que não é o amarelo perfeito que deveria ser.
Faz planos para desenhar uma seta no quarto e rodeá-la de todas as fotos de setas tiradas ao longo desta caminhada.
Ele entra numa verdadeira missão de carimbos, levando-nos a parar em todas as casas de comércio para preencher a caderneta.
Os três ensaiamos várias maneiras de apontar o caminho de forma a podermos apontar aos eventuais peregrinos.
Eu, a rir e a brincar e a pensar que se calhar ainda há coisas fantásticas na vida.
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