
Ninguém discute a importância dos laços de sangue na vida de alguém e também já estão exaustas as afirmações de que os amigos são a família que escolhes.
Quando crescemos é normal encontrar-mos outras pessoas, de nos identificar-mos mais com outro tipo de loucuras. Loucuras deliciosas, novas e estranhamente reconfortantes. Não se trata de deixar ninguém para trás, mas de crescer, de ser mais, de descobrir no coração espaço para mais pessoas e novas formas de afecto.
No entanto, não se resume apenas de celebrar uma festa com amigos ou família mas de um todo. Uma espécie de tribo composta pelas pessoas que te tocaram o coração de alguma forma.
Também no presépio não se pode afirmar que só existiam lá só os parentes da criança, mas os pastores, os reis-magos, o anjo, bem, até o burro, a vaca e as ovelhas deviam ter um papel importante. Porque tão antigo como o tempo é o ditado: "It takes a village to raise a child" (É preciso uma aldeia para criar uma criança).

Suponho que já não se pense muito no Natal como festa de família ou como algo mais do que uma noite em que se come um doce depois de jantar e para o afortunados uma troquita de prendas porque estes últimos anos não dão para muito mais. Para outros é uma noite como as outras, na qual um prato de comida é já de si um prémio de alta qualidade.
Somos todos parte de outras histórias, de outras tradições sem nos apercebermos. Temos pressa de crescer e tudo nos passa ao lado. O problema é quando paramos, olhamos em redor e as coisas que antes aceitávamos como escritas na pedra, escapuliram-se, as pessoas são fantasmas e memórias.

Familia. Clã. Tribo. Amigos.
Tradições. Memórias. Adaptação.
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