Interlúdio: 23 anos!






A depressão de atingir tais números e viver num panorama económico em que não tenho nada que possa verdadeiramente chamar meu!

A esperança de que os meus amigos continuem a ser como são, a minha familia prossiga de boa saúde e a minha gata vire ninja!

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11º Dia de Natal: Reflexão

Antes das resoluções existia...

“Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado...

Resignação para aceitar o que não pode ser mudado...

E sabedoria para distinguir uma coisa da outra”.

(São Francisco de Assis)


...a compreensão dos nosso limites

10 º dia de Natal: Perto e Longe

Dois Sonhos:




9º Dia de Natal: Quebrar expectativas!


A minha gata nasceu com menos uma pata...

A ninhada já de si era prematura, espectacularmente pequenos e fraquinhos. Quando a vimos, a mais pequena dos quatro, não esperávamos que sobrevivesse o primeiro dia.

Mas sobreviveu, saudável e cheia de energia.

Quando os irmãozinhos começaram a correr, ela arrastava-se. Não esperávamos que os movimentos alguma vez se tornassem muito perfeitos ou que conseguisse correr...

Agora é mais rápida do que um ninja, salta como um canguru e empoleira-se nas patas traseiras como um macaquito!

Quando a mãe lhe deu menos atenção, ganhei o hábito de a pegar ao colo e brincar com ela. Não esperava que isso fizesse alguma diferença.

Agora não me imagino sem ter aquela bola de pelo nos braços, de a perseguir pela casa, de ouvir o seu ronronar.

A minha gata nasceu sem uma pata. Para todos os efeitos ninguém esperava que perseverasse. Mas ela não sabe disso. Não tem consciência do lógico e das leis da física! Por isso salta, corre, aparece e desaparece da minha vista, mia por colo, comida e companhia e sobretudo adapta-se a tudo rapidamente, intrepidamente.

É uma pequena força da natureza e adoro-a porque me ensina todos os dias que o mundo não é a preto e branco!

8º dia de Natal: A fraqueza de uma mulher



Porque faz bem a muitas coisas, mas em particular ao espírito!

Felicidade no seu estado mais simples!

7º Dia de Natal: A maravilha de ser






Porque fazemos as perguntas ridículas e cheias de sentido

Porque temos as teorias mais estranhas de sempre

Porque o nosso cabelo desafia a lei da gravidade

Porque a sopa nem sempre é a nossa cena

Porque os nossos amigos são deliciosamente estranhos e fantásticos nas quantidades certas

Porque a nossa família é surreal

Porque adorávamos a escola e desdenhávamos a vida adulta

Porque a vida adulta acertou-nos em cheio e tivemos de arranjar maneira de crescer

Porque sabemos ser simplesmente, honestamente, maravilhosamente:

Mafalda!

6º Dia de Natal: O dia depois de Natal


Não, não se trata de uma desculpa para usar a tensão reprimida de estar fechado durante dois dias inteiros com familiares de todos os tamanhos e cores através de um round de boa e velha luta, na qual o vencedor foge com as prendas todas ou pelo menos com a satisfação de que ficou por cima... - isto na minha mente comprometida por anos de Natais a três ou quatro familiares...

Não é um dia em que vivemos somente para os saldos... ou talvez neste momento seja, afinal, as tradições vivem em constante mutação na sociedade....

Também não se trata de despachar as caixas que sobraram das prendas - claramente ignorando o clima de recessão que vivemos...

Boxing Day é o dia de dar aos mais desfavorecidos, uma tradição talvez mais enternecedora e cristã do que qualquer outra invenção puramente materialista que o consumismo tenta passar por regra!

Desde tempos antigos que nos países anglo-saxónicos neste dia se dão ao mais desfavorecidos uma prenda, comida, agasalhos ou até um donativo aos orfanatos e a várias instituições.

Porque o Natal é apenas um dia, mas a compaixão do coração humano deve ser usada durante toda a vida!

A todos os que contribuíram para o Natal/Dia/refeição de outros,

Obrigado!

5º Dia de Natal: Lição de Vida!

Quando o lógico atira-se da janela





Improvisem!

4º Dia de Natal: Orientação


O beautiful star the hope of life
Guiding the pilgrims through the night
Over the mountains 'til the break of dawn
Into the land of perfect day
It will give out a lovely ray
O beautiful star of Bethlehem
Shine on



Uma canção de Natal para adoçar o ambiente: Beautiful Star Of Bethlehem. Porque fala da caminhada, da procura, da esperança e nada faz mais sentido do que pensar neste dia como um novo início, o fim de um ciclo e principio de outro.

A todos os que fazem desta noite a sua caminhada pessoal, a todos os que não sabem se o amanhã lhes será favorável, aos que perderam a esperança e aos que se agarram ferozmente a ela, aos que não sentem e aos que sentem demais, aos que acreditam e aos que duvidam:

A todos os que tal como eu, ainda procuram a sua estrela

FELIZ NATAL!

3º Dia de Natal: Família ou clã


Ninguém discute a importância dos laços de sangue na vida de alguém e também já estão exaustas as afirmações de que os amigos são a família que escolhes.

Quando crescemos é normal encontrar-mos outras pessoas, de nos identificar-mos mais com outro tipo de loucuras. Loucuras deliciosas, novas e estranhamente reconfortantes. Não se trata de deixar ninguém para trás, mas de crescer, de ser mais, de descobrir no coração espaço para mais pessoas e novas formas de afecto.

No entanto, não se resume apenas de celebrar uma festa com amigos ou família mas de um todo. Uma espécie de tribo composta pelas pessoas que te tocaram o coração de alguma forma.

Também no presépio não se pode afirmar que só existiam lá só os parentes da criança, mas os pastores, os reis-magos, o anjo, bem, até o burro, a vaca e as ovelhas deviam ter um papel importante. Porque tão antigo como o tempo é o ditado: "It takes a village to raise a child" (É preciso uma aldeia para criar uma criança).





Suponho que já não se pense muito no Natal como festa de família ou como algo mais do que uma noite em que se come um doce depois de jantar e para o afortunados uma troquita de prendas porque estes últimos anos não dão para muito mais. Para outros é uma noite como as outras, na qual um prato de comida é já de si um prémio de alta qualidade.

Somos todos parte de outras histórias, de outras tradições sem nos apercebermos. Temos pressa de crescer e tudo nos passa ao lado. O problema é quando paramos, olhamos em redor e as coisas que antes aceitávamos como escritas na pedra, escapuliram-se, as pessoas são fantasmas e memórias.



Familia. Clã. Tribo. Amigos.

Tradições. Memórias. Adaptação.

2º Dia de Natal: Sabias que...

O Pai Natal tem um alter-ego!




Claro que depois de uma história tão maravilhosa como a do Rodolfo, para complementar as festividades temos de apresentar o lado mais obscuro das lendas de Natal...

Muito em voga principalmente na Áustria, está a lenda do Krampus, uma mistura de mitos de sátiros, demónios e o homem do saco de certo modo.

Enquanto o velho Nicolau faz a bela da lista das crianças que merecem um mimo, os miúdos mal-comportados estão debaixo de olho deste ser, recebendo avisos e castigos para além de um trauma vitalício depois de encarar tal visão no lugar de um velhote simpático.

A pior parte da lenda no entanto é a parte em que se o miúdo for mesmo mauzinho, é enfiado num saco - sim, o insulto é maior porque o saco é o símbolo das prendas do Pai Natal - levado para o covil do Krampus e devorado.

Claro que não há melhor maneira de vencer o medo do que enfrentando-o por isso todos os anos, durante a primeira semana de Dezembro, jovens e adultos disfarçam-se de Krampus e passeiam-se nas ruas a assustar crianças.

Poucas coisas devem ter tanto efeito para educar crianças como um desfile de monstrinhos assustadores(junta as duas ferramentas mais poderosas dos pais: a ameaça vã e a chantagem).

É melhor portarem-se bem este ano para receberem prendinhas e nenhuma visita do papão do Natal! Com a nossa sorte os adultos também estão na lista!


1º Dia de Natal: Rodolfo, o regresso



Após dez anos de uma peça excepcional feita pelos exploradores de São Mamede inspirada numa rena posta de parte pela sua diferença, eis que alguém desenterrou novamente a cassete de vídeo de 1998 e fez um remake na Ceia de Natal deste ano!

Com alguma tristeza já só restavam cerca de cinco pessoas na sala que se lembravam desses tempos antigos (dez anos, senhores, quando se lida com crianças é como dizer gaziliões, espaços de tempo impossíveis de medir ou numerar convenientemente)...

Salto no tempo e os pioneiros pegaram nesse encantador filme de Natal, criaram um universo em que o Pai Natal mostrava as dores e dificuldades motoras de acordo com a sua idade... talvez devido a um enchimento na barriga que se movia constantemente devido às maravilhas dos adereços de última hora, e que nunca perdeu fé na nossa rena favorita...

Juntem a isso um pólo norte regido pelos comunicados de vários elfos que para a ocasião adornavam-se com os seus melhores trajos, um dos quais levantou imediatamente a teoria da conspiração de que o Justin Bieber tinha emigrado para Norte... e um Rodolfo do mais fofinho possível com o seu nariz cheio de purpurinas!

Dificuldades ultrapassadas, valores reconhecidos, moral da história assimilada e presentes debaixo da árvore! E assim se cozinha o belo do conto de Natal!

Ao Rodolfo, personagem mais que favorita de uma amiga minha e rena extraordinária!

Profissão: meter pessoas no avião

Não trabalho no aeroporto mas tenho passado lá muito tempo nos últimos dois anos. Basicamente a minha função é despedir-me de amigos, enquanto eles partem para coisas melhores e terras de oportunidades (Todas a escassear).



Já não sou novata a escrever palavras de despedida, sentar-me em cima de malas alheias para caber tudo e lágrimas vertidas porque ver os amigos partir custa sempre.

Fui companheira de mesa na despedida épica da comida portuguesa em casa dos meus amigos (factor que deixa sempre imensas saudades. Convenha-se que em Portugal sabemos comer mesmo bem) e já assinei imensos postais sempre de coração e sempre com as palavras: Tens aqui alguém que pensa em ti!

A era de informação não compensa a distância mas faz-se o que se pode. A felicidade dos que vos são próximos também completa ou pelo menos ajuda a sonhar um pouco... de que um dias as coisas estarão melhores, de que hoje nos separamos para em breve nos voltarmos a encontrar...

Somos jovens sem saída e a nossa energia vai-se tão rapidamente. Os nossos sonhos esfumam-se tão depressa.

Mas por hoje, a todos os meus amigos encalhados noutro país este ano: FELIZ NATAL E BOM COMEÇO DE VIDA!

Tocar no tecto

Porque por vezes no meio de toda a correria do dia-a-dia esquecemos-nos das coisas simples da vida.

Stress, responsabilidade, pressa de crescer. ou caminhamos devagar e sem destino ou corremos sem aberturas e atenções para o que nos rodeia.

E, num episódio que mistura as duas coisas, percebemos que talvez ainda não sejamos demasiado adultos para redescobrir o que nos faz feliz.

Nesse espírito do ser feliz entra o novo conceito de tocar no tecto. ao vermos um pai a brincar com o filho de dois anos, levantando-o para ele conseguir alcançar o tecto não se evitam sorrisos, perante a gargalhada deliciada do bebé.

Nisto vira-se uma jovem e comenta "Longe vão os dias em que ficávamos felizes só por tocar no tecto"

Quase combinadas erguemos os braços, esticamos os pés e finalmente (a maldição secreta de ter 1,60) tocamos o tecto, quebrando em gargalhadas no momento seguinte.

Porque não é a felicidade idílica e eterna a que muitos estarão a abanar a cabeça e não é a satisfação dos objectivos concretizados que os jovens adultos - participantes da maratona - aspiram...

É apenas a maravilha de saber que ainda conseguimos chegar ao tecto! que ainda temos em nós a capacidade de rir disso - por mais parvo que o momento tenha sido.

Dedicado a uma patrulha guaxini muito especial

A dinâmica da mensagem






"O degrau da escada não foi inventado para repousar, mas apenas para susterntar o pe´o tempo necessário para que o homem coloque o outro é um pouco mais alto"





Aldous Huxley

Noite de Albergue: o verdadeiro teste




Retomando o tópico da Noite de Albergue.

Num ambiente comunitário há que respeitar a dona-de-casa.

É a regra de ouro que todas as mães passam aos filhos quando estes têm idade suficiente para fazer o tour social das bochechas apertadas por pessoas pseudo-desconhecidas e comentários de 'Ah está tão crescida' quando estão exactamente do mesmo tamanho que estavam ontem.

Na casa dos outros, portem-se bem.

Por essa razão, às 22horas, interrompemos a nossa 'playlist'/mini-fogo-de-conselho no exterior do alberge e entramos debaixo do olhar decidido e ligeiramente reprovador da responsável.

Tentámos ainda, no espírito da coisa, fazer uma oração em grupo antes de nos retirarmos. Oração que foi imediatamente interrompida pela boa senhora, que não se compadeceu da nossa sede de espiritualidade àquela trágica hora da noite.
O aviso foi claro:

Eram 22horas. Jesus teria de esperar pelo dia seguinte.

Resignados, subimos para o dormitório com a cabeça baixa de quem levou nas orelhas duas vezes em espanhol.

Mas não somos nada senão escuteiros rebeldes e uma vez no dormitório fizemos o belo do circulo e a dinâmica da oração foi para a frente.
Separamo-nos em silêncio e cada um foi para a sua caminha.

Assim teve início as cinco horas mais dificeis da viagem:

Imaginem que dormiram apenas duas horas na noite anterior. Duas horas sentada, constantemente abanada pela gargalhada de companheiras de caminhada claramente nocturnas. Imaginem acordar no dia seguinte apenas para caminhar 22 km, os últimos numa velocidade razoável para conseguir abrigo no albergue e uma tarde dividida em dinâmicas, busca de super-mercados e patinhos a nadar. Talvez no fim estejam ligeiramente cansados. Talvez queiram até dormir...

Talvez não devessem ser acordados dois minutos depois de fecharem os olhos por uma luz ofuscante que quase me lançou do beliche abaixo. Talvez "alguém" devesse guardar a máquina e o flash para o dia seguinte.

Depois de algumas explosões de luz tanto Ana como eu rendemo-nos à evidência que o sono é um luxo, do qual não iamos usufruir.

Outra lição valiosa: Orações podem esperar pelo dia seguinte. Mas o futebol não. Com uma autorização especial segue-se a entrada de um grupo barulhento que ficou a acompanhar o jogo num dos bares locais, a bradar em alemão e a brincar com lanternas.

De referir ainda a sinfonia do ressonar naquele quarto. Oh! A sinfonia do ressonar. E depois os risos. E depois a segunda vaga do futebol. E o espectaculo de lanternas.

Yup, nada como uma noite relaxante de alberge.

De Caldas de Rei a Santiago de Compostela




Só completamos duas fases do caminho.

Convém começar por essa frase. A Dimensão espiritual pode estar lá. Mas o esforço físico e psicológico é uma amostra do que significaria o todo da caminhada.

No entanto, apenas uma pequena parte desperta algo diferente.

Uma vida de caminhadas, de mochila às costas, cantil, barras energéticas, um impermeável a que não damos uso, reportório musical que geralmente nem admitiríamos que sabemos... ah, sim e um par de botas.

Para uns é um pouco andar de bicicleta. Uma bicicleta livre do karma de acidentes estúpidos que alguns de nós carregam, enferrujada, a precisar de uma nova pintura aqui e ali...

E de repente estamos no meio do monte, a caminhar em sincronia com dois dos teus mais antigos parceiros de caminhada.

Mama mia, pimbalhada, tentativas de rock que personificam a expressão 'epic fail', todas as músicas espanholas que nos lembramos e não lembramos nos últimos dez anos.

No fim. o reportório define-se por um mix que só pode ser definido por funfreezens - a linguagem inventada do clã 9, escuteiros de São Mamede, quando nós lá figurávamos há um ano - que agora nos parece ter sido há umas décadas.

Durante parte do caminho uma emboscada é planeada ao resto dos dirigentes. Depois de todo um brainstorming dos nossos filmes favoritos de acção e de animes, conseguimos polir perfeitamente um plano genial.

Primeiro passo: Camuflagem

(insert jungle music here!)

Eu, com uma flor enfiada no meio da Cabeça.

Emanuel, com uma folha colada na testa.

Ana, com um ramo de carvalho na mochila.


Segundo Passo: Sneaking

Os três CILs em fila atrás do ramo de Carvalho a cantarolar qual criancinha possuída num filme de terror: "Não tem cartão, não entra"


Terceiro Passo: Reacção

Os dirigentes de lenço verde a erguer uma sobrancelha e a dizer "Ah então estão aqui"


Ana ultrajada. "Não Teresa. O que devias dizer era: AH! UMA ÁRVORE QUE FALA!"


Aventuras, espanhóis que falavam um não-dialecto, e sem dúvida a pior noite de albergue que alguém já teve.

Assim se faz o caminho de Santiago.

Ela insiste num verdadeiro culto às setas amarelas, tirando um rol de fotos, queixando-se dos traços desajeitados, da cor amarela que não é o amarelo perfeito que deveria ser.

Faz planos para desenhar uma seta no quarto e rodeá-la de todas as fotos de setas tiradas ao longo desta caminhada.

Ele entra numa verdadeira missão de carimbos, levando-nos a parar em todas as casas de comércio para preencher a caderneta.

Os três ensaiamos várias maneiras de apontar o caminho de forma a podermos apontar aos eventuais peregrinos.

Eu, a rir e a brincar e a pensar que se calhar ainda há coisas fantásticas na vida.